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III Simpósio da ABCiber e os estudos sobre games

III Simpósio da ABCiber e os estudos sobre games

Entre os dias 16 e 18 de novembro, a Escola Superior de Propaganda e Marketing de São Paulo (ESPM-SP) sediou o III Simpósio Nacional da Associação Brasileira de Pesquisadores em Cibercultura – ABCiber, que já pode ser considerado o principal evento de estudos sobre as Tecnologias da Informação e Comunicação do Brasil. É óbvio, que, em um evento voltado para as práticas ciberculturais, os game studies estiveram presentes de forma marcante: além de apresentação de artigos, foram realizados um workshop (com a equipe do Laboratório de Pesquisa em Comunicação, Cognição e Práticas de Entretenimento da Uerj, liderado pela professora Fátima Régis) e uma mesa temática promovida pelos colegas de blog Thiago Falcão, Emmanoel Ferreira, Paolo Bruni e Luiz Adolfo de Andrade.

Já que várias sessões de apresentação de trabalhos aconteceram ao mesmo tempo, foi impossível assistir todas as mesas. Então, no melhor estilo twitteiro, resolvi procurar nos anais do evento os artigos que faziam dos games o seu assunto principal, para tentar saber quais os trending topics que moveram as pesquisas dos nossos acadêmicos tupiniquins. Como os anais da ABCiber não possuem pesquisa por palavra-chave, selecionei os trabalhos pelos seus títulos – desta forma, pude achar 23 artigos com referências aos jogos eletrônicos/lúdico/metaversos, dentre 205 publicações. Notei duas principais correntes de trabalho:

1. As representações e práticas sociais no Second Life (e outros ambientes digitais): muito presentes na ABCiber, estas pesquisas consolidam os metaversos como objetos ainda interessantes para os pesquisadores de Cibercultura – mesmo com a aparente diminuição do interesse popular e jornalístico pelo SL. Dentro deste universo, podemos destacar a enorme presença de explorações sobre avatares (principalmente por meio de análises de possibilidades de construção e representação possíveis) e também pesquisas sobre ambientes de jogos online, como MMORPGs e os social games do Facebook.

2. Discussões sobre o conceito de lúdico: a forte presença desse tema foi uma verdadeira surpresa para mim, pois esse era um tipo de discussão que parecia restrito aos estudos da área de Educação. Só que vários pesquisadores recorreram às definições conceituais sobre jogos para explicar temas relacionados principalmente ao game design, como círculo mágico, exploração de regras e ambientes, elaboração de interfaces e construção de universos ficcionais.

Mesmo que a maioria dos artigos apresentasse reflexões sobre algum destes dois eixos principais, houve uma grande variedade de objetos de estudo e metodologias, que é uma característica marcante dos estudos de jogos eletrônicos no Brasil, e que confirmam o caráter interdisciplinar e o profundo alinhamento bibliográfico/temático com o campo das Ciências da Comunicação [i]; como exemplos, netnografias de comunidades de gamers do sexo feminino no Orkut, análise semiótica de avatares no Second Life, construção de capital social no Farmville do Facebook, jogos online voltados para atividades eróticas, transposição de narrativas de RPGs para metaversos e games musicais (Guitar Hero). Porém, o aumento das pesquisas de game design, que trazem uma bibliografia auto-referente, mais voltada para os game studies, podem indicar que talvez possa se repetir no Brasil a mesma tendência observada internacionalmente: a criação de abordagens unificadas e o estabelecimento de uma área autônoma do conhecimento para o estudo de jogos eletrônicos. Mas esta é uma hipótese meramente especulativa…

Com estas observações, posso dizer que fiquei muito empolgada com o espaço dado aos games pelos grupos de trabalho da ABCiber, e também com a qualidade da maioria dos trabalhos apresentados. É bom ver que os game studies vêm conquistando espaços cada vez maiores nos meios acadêmicos brasileiros.

[i] Como discutido neste nosso artigo anterior.


::  Letícia Perani é jornalista formada pela UFJF e mestre em Comunicação pela UERJ. Realiza pesquisas sobre teorias do lúdico, videogames, interfaces gráficas, história das tecnologias digitais e ativismo político. Nerd desde a sua infância caipira, é apaixonada por games 8-bit, cappuccino, cultura japonesa, discussões teóricas com os amigos e também pelo Palmeiras e pelo Franca Basquetebol Clube.


1 Comentário »

  1. Ivelise diz:

    Eu apareço na foto ! rs

    comment-bottom

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